Aquilo parecia como uma goteira no seu coração. Sua vida ia bem, obrigada,e finalmente estava conseguindo se abrir para novas oportunidades de ser feliz. De verdade. Era assim que enxergava sua vida amorosa, como algumas possibilidades e nunca como uma realidade possível. E aquilo nem fazia sentido. Na verdade tentava achar sentido em outras coisas, mas não conseguia. E tudo por que sabia que em algum momento tinha pego involuntariamente uma caminho que lhe era estranho. Mas não foi escolha dela. E sempre quando todo o resto silenciava, lá estavam eles, aqueles pensamentos que gotejavam nela.
e se eles pensassem menos? se não se preocupassem tanto? e se eles parassem de fingir? e se dessem uma chance?
Naquele dia esses pensamentos a acordaram na madrugada e, sem saber ao certo por que, chorou. Chorou um choro que cheirava a mofo de tão guardado. Chorou cada lágrima por tudo o que poderia ter sido, mas não chegou nem perto de ser. E como poderia ter sido. Estava cansada de sua vida que mais parecia com o passado imperfeito do subjuntivo. Sentia raiva por tudo o que perdeu por tão pouco e o máximo que poderia fazer era viver das possibilidades que, sinceramente, nem sabia se queria que acontecessem. O problema é que tinha muitos "e se..." para dar conta. E se ia superar aquilo ela não sabia, mas aquilo era só mais um "e se..." para sua coleção...
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* texto baseado na carta de Sophie no filme "Cartas para Julieta"

Todos dias ficamos frente a frente com os "e se" da vida!
ResponderExcluirVerdade! E às vezes dá um medo de arriscar...
ExcluirAinda nã tinha lido esse! Lindo, só o que vem a minha mente! Inspirador demais!
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