terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Crônica de um livro quase-lido.


De novo esse pensamento irritante de que tudo isso daria uma boa história de amor, como aquela que tinha quase acabado de ler. Não suportou a semelhança com a história do livro e ficou tão irritada com o fato de ter se identificado tanto com a personagem principal que simplesmente se recusou a terminar de ler. Tentando parecer um pouco piedosa consigo mesma xingava e amaldiçoava a pobre personagem que pensava as mesmas coisas bestas sobre o objeto de sua afeição sem sentido. Existia a pequena diferença de que no caso dela tudo era real: ele e os sentimentos que depois de algum tempo amortecidos voltaram com toda força após quase ter lido a desafortunada história. Se arrependeu definitivamente quando leu da boca da personagem as exatas palavras que ecoaram em sua mente há uns anos atrás: "Eu achei que tinha me livrado de você". (anos!, mais uma maldita semelhança idiota!). Isso acabou sendo demais para ela e depois de proferir mentalmente um palavrão, imediatamente fechou o livro, com raiva e uma pontada de satisfação por saber que aquilo tudo daria sim um belo romance moderno, desses que você acredita que só vê em filme.  Na verdade o problema é que os livros de romances atuais/modernos não são mais perfeitos como os de antigamente. Os de hoje em dia são mais como a realidade: existem muitos conflitos internos, defeitos, brigas, alguns não dão certo e, no caso do romance que quase lera, demoravam a se consumar. Outros nem final feliz tinham. Daí pensar ser bastante possível que sua história, que tanto venerava, pudesse ser digna de um romance. Afinal, quem foi a brilhante pessoa que um dia pensou ser feliz escrever romances mais reais? Para o inferno com os romances realistas! Que voltem os amores platônicos e histórias perfeitas e impossíveis de serem concebidas! No fim das contas se deu por vencida e acabou aceitando que sua história não parecia ser mais possível do que os grandes romances "surrealistas" que defendia e que, ao contrário da personagem do romance que quase lera, talvez um dia conseguisse se livrar daquilo tudo. Se deu por satisfeita pensando que poderia, qualquer tempo, escrever sua própria história que quase-aconteceu.

6 comentários:

  1. Oi Luanda :)
    Obrigada pela visita! Seu blog é lindo (menina, que topo!).
    E sobre os amores platônicos, porque tão perfeitos e tão irreais? :(
    beijo

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    1. Eu que agradeço pela visita Ana! Que bom que gostou do blog! Beijos!

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  2. ó de birra kk. Muito eu. Mas ao contrário do seu texto, eu o amei por esta identificação, ao invés de odiá-lo :p

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