segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Nostalgias


Esses dias minha mãe me disse que eu estava muito nostálgica. Na verdade eu sempre soube que eu sou assim. Essa coisa de ser saudosista pelos dias passados. E dói. Sempre doeu. Mas era uma dorzinha incômoda por causa do pequeno número de memórias. Esse negócio de nostalgia também é um presente: só se sente nostálgico quem possui momentos extremamente felizes. Eu tive. E hoje as memórias deles são em grandissíssimo número! Mas e a agora que meus dias não são tão brilhantes e eu sinto até a alma a falta do que vivi? Acho que isso piora em momentos de mudança. Não queria mudar. Primeiro queria continuar sendo uma criança moleca que se preocupa com o bichinho de estimação e depois queria permanecer como aquela adolescente cuja maior preocupação era o 0,5 que faltou para passar direto em matemática. Acho que agora queria ser tudo menos a Luanda de 22 anos de idade. Daí a tal da nostalgia que minha mãe tanto falou. "Luanda, você está muito nostálgica!". Estou sim! Sinto falta dos momentos que não aproveitei o bastante, das pessoas que passaram e não ficaram e dos que ficaram também: essa coisa de que ser aspirante a adulto te tira tudo, inclusive o tempo. Ou principalmente o tempo. E os sonhos? Talvez eu esteja um pouquinho amarga esses dias, mas não sei se tenho mais sonhos ou se quero tê-los. Frustração é uma coisa bem dolorida. Talvez eu seja muito dramática, afinal eu só tenho 22 anos! Mas quem disse que jovem não sente saudade? E talvez, muito provavelmente, um dia eu vá me sentir saudosista desses tempos e ter problemas ainda piores. Quem sabe. Até lá espero continuar fazendo memórias boas de momentos e pessoas felizes que me fizeram felizes e jamais sentir nostalgia de ser nostálgica.

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